Por Paulo Cunha
Se olharmos com atenção à nossa volta, veremos que existem diversas correntes de pensamento e de conhecimento que explicam, sob a sua própria ótica, o comportamento humano. Em décadas mais recentes, parte desta explicação passou a ser focada em temas relativos ao trabalho como por exemplo, competitividade, liderança, gestão, desenvolvimento pessoal, carreira.
Justiça seja feita, tais estudos e práticas ajudaram, e ainda ajudam a elucidar relações que são muito recentes e extremamente mutantes. Arrisco a dizer que são essenciais a complexidade que reina no mundo profissional contemporâneo. Neste quesito, inclusive, há ênfase nas análises objetivas e concretas erigidas pelo padrão do mundo dos negócios. E somente episodicamente amplia-se a discussão através de temáticas emocionais superficiais.
A sensação que tenho é a de que foi criada uma categoria nova de seres humanos, os profissionais. Dissimuladamente, e talvez até sem intenção, o que somos fica separado do que exercemos no trabalho. Tal como caixinhas que se abrem, de acordo com a situação. Prato cheio para entrevistadores que ouvem, freqüentemente, “na minha vida pessoal eu sou assim, mas minha atitude no trabalho é assado”. Exceções feitas a psicopatas que conseguem elaborar facetas tão distintas e inexpugnáveis, caímos na realidade da grande massa de trabalhadores.
Em minha prática profissional, ao longo dos últimos anos, percebi que características defendidas por correntes isolacionistas de pensamento se complementam e, mais importante, facilitam o diagnóstico de questões que emperram a vida profissional de tanta gente. Falta uma compreensão do todo, uma visão holística deste ser humano que também é profissional.
Os fatos falam por si próprios: uma significativa parte das dificuldades enfrentadas nas questões de ordem práticas da carreira revelam que o problema não é simplesmente prático, administrativo ou conjuntural. São paradigmas criados pelo próprio indivíduo, não permitindo seu desenvolvimento.
Quando só destravamos o que é momentâneo e circunstancial, pensamos resolver o agora e podemos jogar para frente pontos que eclodirão mais tarde, como insucessos, insatisfações, frustrações ou decisões erradas.
É fundamental dar ao indivíduo uma perspectiva mais ampla, de onde ele possa ver sua vida profissional inserida no seu todo, com suas alegrias, conquistas, vicissitudes e idiossincrasias.
Pensar a carreira é pensar o indivíduo. A carreira é conseqüência das escolhas e decisões do indivíduo. E o indivíduo é muito maior que sua carreira.
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Um comentário:
Professor, concordo totalmente com seu texto, fantástico!! Mas como não destravar apenas "o que é momentâneo e circunstancial" e evitar que mais tarde elas gerem "insucessos, insatisfações, frustrações ou decisões erradas"?
Como alguém que passa pela fase de repensar possíveis decisões erradas de carreira no passado, eu realmente quero saber o que fazer daqui pra frente!
Obrigada!!
Sabrina
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